O Instituto Diplomático assinalou o Dia Internacional da Mulher com a videoconferência “Mulheres na Diplomacia Portuguesa”, onde a Embaixadora Ana Martinho e a Conselheira de Embaixada Joana Fisher partilharam as suas experiências numa videoconferência aberta com mais de 100 pessoas a assistir.

A Embaixadora Ana Martinho, que entrou na carreira diplomática no primeiro concurso aberto após o 25 de abril de 1974, o primeiro ano em que esta foi aberta a mulheres, deu o seu testemunho daquilo que mudou desde então até aos tempos atuais, em que 32% dos diplomatas portugueses são do sexo feminino.

“Foi interessante ir rompendo as barreiras das categorias em que só havia homens e sentir que o facto de passar a haver mulheres alterava tudo”, referiu a diplomata de carreira, numa sessão que coincidiu com o seu último dia como assessora diplomática do Presidente da República. “Foi interessante ver que o facto de passar a haver mulheres nos órgãos de gestão da carreira começou a influenciar decisões tomadas e como se tornava absurdo pensar que as mulheres antes não estavam lá.”

Joana Fisher, diplomata desde 2005 e atual presidente da Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses, sublinhou que “a presença das mulheres em posições e áreas de soberania do Estado é essencial, porque é um imperativo tanto político como social”.

“Nós conseguimos alcançar agora a paridade a nível das chefias dos lugares dirigentes do ministério, mas a verdade é que em todas as categorias da carreira diplomática nós somos uma minoria”, referiu Joana Fisher. Ainda assim, apontou que “há uma alteração em curso no ministério, que não é obviamente uma revolução, mas uma evolução”.

O tema da maternidade, e da conciliação da vida familiar com a vida profissional, foi abordado por ambas as oradoras.
“A carreira diplomática e o trabalho estruturaram e estruturam a minha vida, em permanente ligação com aquilo que é para mim o mais importante: a minha família”, disse a Embaixadora Ana Martinho. “Nem sempre foi fácil, também sobretudo do ponto de vista pessoal. Mas sendo mulher há 72 anos, gostaria de deixar aqui e hoje este testemunho: não me senti discriminada, fiz sempre o meu possível o que me foi destinado e progredi a um ritmo normal, espero que por mérito.”

Joana Fisher rejeitou a ideia de que a maternidade possa significar um menor compromisso das mulheres diplomatas com a sua carreira. Recorrendo à sua experiência pessoal, afirmou: “Ter cada um dos meus filhos renovou e reforçou o meu compromisso com a minha carreira e em nenhum momento eu senti que a minha dedicação tivesse soçobrado. Pelo contrário. Ter filhos fez-me querer ser melhor, pessoalmente e profissionalmente, porque quero dar-lhes o exemplo e porque sinto que através do meu trabalho posso contribuir alguma coisa para o mundo em que eles e eu vivemos”.

Assista aqui ao vídeo completo da sessão. 

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